Festival R. T. P. da Canção ► Viagem no Tempo
VIAGEM NO TEMPO... (1964-2010) Fonte: Rádio e Televisão de Portugal
1964: 1º Grande Prémio TV da Canção Portuguesa / Festival RTP da Canção
A 2 de Fevereiro de 1964 realizava-se o 1º Grande Prémio TV da Canção Portuguesa, onde António Calvário venceu com a canção "Oração". Era o início de um grande evento, que ainda hoje se repete.
1964, 2 Fevereiro, estúdios do Lumiar
A primeira vez
A realização do primeiro Grande Prémio TV da Canção Portuguesa. Um acontecimento ímpar no nosso país até então, e que se revestiu de enorme expectativa. Apesar das condições "poupadas" que marcaram esta primeira realização do evento, a verdade é que durante muito tempo o brilho das luzes e o glamour do espectáculo fizeram a delícia das conversas de rua e de café.
António Calvário
Ainda hoje este cantor não se vê nunca dissociado desta primeira emissão do Festival. Com a canção "Oração", gestos de fé, um olhar dorido e uma interpretação dedicada, alcançou a vitória, carimbando o passaporte para representar Portugal em Copenhaga.
Em Copenhaga
Apesar do cantor, letristas, compositor e todos os envolvidos na representação portuguesa quererem dar o seu melhor, a verdade é que os jornalistas estrangeiros estavam mais interessados no facto de Portugal, em 64, estar ainda sob os ferros da ditadura Salazarista. Não se sabe se foi por essa razão que Portugal não obteve qualquer ponto, mas foi decerto constrangedor e frustrante. Contudo, a apaziguar a situação, também a Alemanha Ocidental, Jugoslávia e a Suiça não obtiveram qualquer ponto.
A emissão
Em Portugal, os espectadores puderam seguir o Concurso Eurovisão da Canção graças a uma ligação hertziana à rede de emissores espanhola, o que na altura era frequente. Foi assim possível cantar a "Oração" ao mesmo tempo com António Calvário e, posteriormente, assistir ao nervosismo das votações, que daria a vitória à italiana Gigliola Cinquetti, com uma canção fácil de recordar: "Non ho l'étá".
1965: Festival RTP da Canção
O ano em que Simone de Oliveira vence pela primeira vez,
representando Portugal em Itália.
1965, 6 Fevereiro, estúdios do Lumiar
No que foi o 2º Festival da Canção da RTP, a música "Sol de Inverno" captou a atenção do público e os votos do júri, e para tal também ajudou a força e o magnetismo de Simone de Oliveira, que assim ganhou o festival e viajou até Itália.
Em Nápoles
Dando viva voz à música e letra de Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança, Simone alcançou para Portugal 1 ponto, atribuído pelo Mónaco. Um penúltimo lugar entre os 18 concorrentes, mas ainda assim à frente da Espanha, Alemanha Ocidental, Bélgica e Finlândia, que não obtiveram qualquer ponto.
Um acontecimento
A imprensa elogiou a fotogenia de Simone de Oliveira, e mesmo a canção portuguesa recolheu grandes elogios. Mas a grande festa já tinha sido em Portugal. Aqui, o Festival ganhava cada vez mais contornos de acontecimento nacional, com uma gala que reunia personalidades, muito glamour e espectáculo.
150 milhões
Um número que ficou para o Concurso Eurovisão da Canção desse ano. Nunca um artista português tinha cantado para um público tão vasto, um facto só possível à imensa rede de emissores da Eurovisão. Enquanto isso, em Portugal, discutia-se a continuação da participação portuguesa, e em que moldes, visto serem necessários maiores investimentos, não só na organização do espectáculo como depois na promoção do representante português.
1966: 3º Festival RTP da Canção
Madalena Iglésias vence em Portugal, mas o Concurso da Eurovisão é ganho por Udo Jurgens.
1966, 15 Janeiro, estúdios do Lumiar
No ano em que a Ponte 25 de Abril, então baptizada Ponte Salazar era inaugurada, Madalena Iglésias sagrava-se vencedora do Festival da Canção da RTP. Aquela que por várias vezes foi eleita como a "Rainha da Rádio" e que dividia a fama com Simone de Oliveira tinha, agora, a sua oportunidade de representar Portugal na Eurovisão.
Ele e Ela
A música venceu em Portugal com 81 pontos, mais 29 que a segunda classificada, mas na Europa não foi além do 13º lugar. Contudo, "Ele e Ela" foi um salto para a fama de Madalena Iglésias, que lhe proporcionou propostas de contratos para a Holanda, Cannes e diversas estações de televisão. A canção foi também, nas décadas de 80 e 90, re-gravada por diversas bandas pop, que lhe incutiram o seu próprio estilo: Mler Ife Dada, Entre Aspas e os Porquinhos da Ilda.
1967: 4º Festival RTP da Canção
Eduardo Nascimento, cantor negro de voz quente, é o primeiro entre os cantores portugueses no Grande Prémio TV da Canção Portuguesa. Lá fora Sandy Shaw é a grande vencedora da Europa.
1967 - 25 de Fevereiro, estúdios da Tóbis Com 120 pontos, mais 42 que a canção segunda classificada, "O Vento Mudou" catapultou Eduado Nascimento para as luzes da ribalta da canção portuguesa e, igualmente, para a Europa.
Henrique Mendes e Isabel Wolmar
Nesta altura o Festival da Cação da RTP era já um acontecimento único no panorama artístico e popular do país. Todos os anos, mal começavam a ser escolhidas as canções para a grande final em Portugal, logo o burburinho se começava a ouvir nas ruas. O espectáculo, esse, teve neste ano a apresentação da dupla Isabel Wolmar e Henrique Mendes. Este último, galã da televisão nacional, era mesmo o rosto mais conhecido da apresentação do Festival, numa época em que a seriedade e sobriedade marcavam o estilo.
12º lugar
Na Europa Eduardo Nascimento não conseguiu a mesma posição que em Portugal, mas ainda assim a concorrência era feroz, e os meios e dinheiro investidos, bem como a língua e a imagem dos outros países constituíam ainda uma arma que era difícil combater com apenas uma boa canção.
1968: 5º Festival RTP da Canção
Carlos Mendes é o representante deste ano de Portugal, mas ainda não é desta que a vitória canta português. Ainda assim, 5 pontos são obtidos em Londres.
1968, 4 de Março, estúdios da Tóbis
A dançar no palco, festejando, estiveram José Alberto Diogo, Carlos Mendes e Pedro Osório, o trio vencedor do Festival da Canção desse ano, apresentado pelo eterno Henrique Mendes e desta vez acompanhado por Maria Fernanda.
Carlos Mendes
Nascido em 1947, é em 1964 que funda o grupo rock "Os Sheiks", que terminaria em 1967, iniciando uma carreira a solo e um ano antes de ganhar o Festival RTP da Canção.
"Verão" suado
Uma das eliminatórias mais renhidas da história do Festival RTP da canção. Com apenas 2 pontos de diferença, "Verão" acabou mesmo por ser a canção vencedora da noite. Já na Eurovisão a classificação não foi além do 11º lugar.
1969: 6º Festival RTP da Canção
O ano da "Desfolhada", da segunda vitória de Simone de Oliveira e de um grande escritor e poeta: Ary dos Santos.
1969, 24 de Fevereiro, Teatro São Luiz
A apresentar o Festival este ano esteve Lourdes Norberto, que sozinha conduziu um espectáculo que daria uma estrondosa vitória a Simone de Oliveira, com "Desfolhada Portuguesa". Os 94 pontos foram mais que suficientes para vencer em Portugal, mas na Europa o 15º lugar foi o resultado que se obteve.
Simone de Oliveira
Com o êxito de "Desfolhada" em Portugal, Simone de Oliveira tornou-se um ícone desse tempo no panorama do espectáculo. O despique com Madalena Iglésias estava sempre aceso, mas algum tempo depois Simone perdeu a voz e atravessou mesmo um período difícil na sua vida. Já em 1973, Simone regressa, desta vez com Madalena Iglésias afastada da cena musical. Mas o futuro de Simone não passaria apenas pela música. Até hoje, o seu inconformismo e iniciativa levaram-na também ao teatro, à revista, à televisão e mesmo à rádio.
Situação caricata mas problemática!
A edição 14 do Eurofestival tem, em 1969, um acontecimento nada digno de ser relembrado pela organização. Em Madrid, Espanha, Reino Unido, Holanda e França, ficam, ex-aequo, em... 1º lugar! Os protestos não tardaram a chegar. A UER viu os meses seguintes decorrerem sob grande pressão para resolver e corrigir o sucedido, porque ou se fazia alguma coisa ou era certo que no ano seguinte o facto se iria repetir. Mas antes mesmo disso muitos foram os países que se retiraram. Portugal fê-lo em Setembro.
1970
Em 1969, no Eurofestival, acabam em 1º lugar Espanha, França, Holanda e Reino Unido. Como tal, vários países abandonam a competição. Portugal fá-lo em Setembro de 1969.
1970
Os protestos ouviam-se por todo o lado. A canção inglesa, de entre as 4 que em 69 tinham ficado em primeiro, era tida como a pior de todas, e no entanto tinha ganho. E eram factos como este que alimentavam os boatos de "arranjos" e votos "comprados" no Eurofestival, com especial dedo indicador apontado às empresas discográficas.
As alterações
Durante o ano de 1970 foram realizadas várias reuniões, e de muitas delas foram surgindo ideias e medidas a aplicar. A ideia de segunda votação em caso de empate no 1º lugar foi uma delas, depois foi também a inclusão de mais peritos musicais nos júris nacionais. Assim, e com mais alterações resultantes de um consenso, o Eurofestival foi retomado em 1971, já com um recorde de participações (18), mas apesar de tudo Portugal nem por isso melhorou nos pontos obtidos...
Sérgio Borges
Ainda assim, O Festival RTP da Canção teve realização nesse ano, onde venceu Sérgio Borges, com a canção "Onde vais rio que eu canto". Se teria obtido a vitória caso tivesse participado no Eurofestival, isso nunca o saberemos...
1971: 8º Festival RTP da Canção
Uma jovem e bonita promessa na canção portuguesa, Tonicha, dá voz às palavras de Ary dos Santos e representa Portugal no estrangeiro.
1971, 11 Fevereiro, Cinema Tivoli
Tonicha participa pela segunda vez no Festival RTP da Canção, com "Menina", desta vez com letra de Ary dos Santos e música de Nazareth Fernandes. Os 103 pontos superaram os 69 obtidos por Paulo de Carvalho. No Concurso Eurovisão da Canção trouxe para Portugal um óptimo 9º lugar.
Tonicha
"Ora pimba na caneca..." foi sem dúvida um dos refrões que marcou a carreia desta cantora "loirinha e bonita", como muitos falavam e ainda falam dela. Mas o repertório de Tonicha é bem mais extenso. Os seus êxitos vão desde o folclore até à música de intervenção, e foi, definitivamente, uma das intérpretes preferidas do grande poeta José Carlos Ary dos Santos.
1972: 9º Festival RTP da Canção
Carlos Mendes vence, com "Festa da Vida", e vai representar Portugal a Edimburgo.
1972, 21 Fevereiro, Teatro São Luiz
"A Festa da Vida", de Carlos Mendes, foi igualmente a festa dos pontos. Só para ter uma noção, a música classificada em 2º lugar obteve 77 pontos, mas a vencedora arrecadou 227! Uma escolha unânime, a desse ano.
Cruz
Este foi, também, o ano de estreia de Alice Cruz e Carlos Cruz, na apresentação do Festival RTP da Canção. Já quanto a Carlos Mendes o mesmo não acontecia, pois tinha já participado no Festival em 1968. Desta vez obteve um bom 7º lugar.
1973: 10º Festival RTP da Canção
Um ano antes da "Revolução dos Cravos", Fernando Tordo canta "Tourada" e carimba assim o passaporte para o Festival da Eurovisão.
1973, 26 Fevereiro, Teatro Maria Matos
Paco Bandeira e Fernando Tordo protagonizaram uma votação renhida, mas foi mesmo este último que acabou por vencer a edição do Festival RTP da Canção deste ano, com "Tourada", uma música que inicialmente a censura não percebeu e só depois tentou impedir de ser levada à Eurovisão. Felizmente que todos os responsáveis pelo Festival fizeram como se a música fosse uma comum música de Festival.
Cantores festivaleiros VS. Cantores de intervenção
Claro que na altura ninguém podia dizer que dali a pouco mais de um ano seria a revolução que libertaria o país dos grilhões da ditadura, mas muitos sonhavam e lutavam todos os dias para que tal acontecesse. Contudo, cada um lutava à sua maneira. Apesar de "Tourada" ser ainda hoje considerada por muitos ou alguns como uma música de intervenção, a verdade é que não pode ser considerada como tal, pelo menos no verdadeiro sentido da palavra. É que participar no próprio Festival da Canção era, só por si, visto como estar do lado do regime. E foi por isso mesmo que cantores e autores como Fanha ou Zeca Afonso nunca participaram no Festival ou só o fizeram depois do 25 de Abril.
1974: 11º Festival RTP da Canção
A par com "Grândola, Vila Morena", Paulo de Carvalho canta "E Depois do Adeus", as duas músicas que iniciariam a Revolução de 25 de Abril. Esta última visita a Europa.
1974, 7 Março, Teatro Maria Matos
"E Depois do Adeus" foi a música que deu a Paulo de Carvalho a vitória, obtendo mais 101 pontos que a segunda classificada. A apresentar o espectáculo estiveram Glória de Matos e Artur Agostinho. Mas na Eurovisão os resultados não foram tão expressivos, e Portugal obteve apenas o 14º lugar.
A eternidade com os cravos
Apesar dos factos que aqui são relatados se reportarem ao Festival RTP da Canção, a verdade é que a história do futuro que iria ser escrito ditaria outras razões para a música de Paulo de Carvalho ficar para a eternidade. É que na madrugada de 25 de Abril desse ano de 74, duas músicas iriam ser o código de arranque para as Forças Armadas se mobilizarem e deitarem por terra um regime ditatorial de mais de 40 anos. A primeira foi "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, a segunda "E Depois do Adeus".
1975: 12º Festival RTP da Canção
O Festival reflecte as ideias revolucionárias. O vencedor é o Capitão Duarte Mendes, num Festival diferente dos anteriores.
1975, 15 Fevereiro, Teatro Maria Matos
Num espectáculo apresentado por Maria Elisa e José Nuno Martins, a canção vencedora seria "Madrugada", cantada pelo Capitão Duarte Mendes. Os votos foram muito equilibrados, mas talvez a "toada" revolucionária da canção tenha pesado na decisão final dos júris, numa altura em que a liberdade estava nas ruas e se falava do que se queria, como se queria, com quem se queria, onde se queria...
Um Festival diferente
O 25 de Abril trouxe mudanças não apenas no cenário político, mas também no do espectáculo. As pessoas apresentavam-se em frente dos ecrãs de forma informal e descontraída, e este ano trouxe ao Festival a presença dos júris no estúdio. Uma outra curiosidade foi o total despojamento de tudo o que era decoração considerada supérflua. Ou seja, tínhamos apenas o estúdio, os júris, os apresentadores e os técnicos, tudo num ambiente muito "vazio", como se a nova era de liberdade significasse que ser-se pela revolução implicasse libertar-se de tudo o que pudesse estar ligado ao "fausto" da elite da ditadura.
1976: 13º Festival RTP da Canção
"Uma Flor de Verde Pinho", poema de Manuel Alegre cantado por Carlos do Carmos, é a música que representa Portugal na Europa.
1976, 7 Março, estúdios RTP
A noite de Carlos do Carmo, que venceu a edição deste ano do Festival com "Uma Flor de Verde Pinho", uma canção a musicar uma letra de Manuel Alegre. A estrear-se este ano, também, estiveram os apresentadores: Ana Zanatti e Eládio Clímaco, numa noite em que a RTP soprava as velas dos seus 19 anos.
Carlos do Carmos e Carlos do Carmos e Carlos do C...
Apesar de hoje o facto ser simples, que Carlos do Carmo venceu na edição deste ano, a verdade é que também outra coisa não podia acontecer. Explique-se: é que todas as 8 canções concorrentes foram cantadas por Carlos do Carmo! Mas as surpresas da edição do Festival RTP da Canção deste ano não ficaram por aqui. A votação foi também diferente. As pessoas votaram através de postais que, depois de contabilizados, deram a "Uma Flor de Verde Pinho" 25% dos votos. Mesmo assim, os resultados na Eurovisão não se alteraram grandemente. Nesse ano ficámos em 12º.
1977: 14º Festival RTP da Canção
Uma edição inédita. As 7 músicas a concurso foram cantadas, cada uma, por dois intérpretes diferentes. No final, Os Amigos foram cantar "Portugal no coração" à Eurovisão.
1977, 12 Fevereiro, estúdios RTP
Um Festival cheio de inovações. Ao todo eram 7 músicas que concorriam, mas na verdade até se podiam dizer que eram 14. É que cada canção era interpretada 2 vezes, por intérpretes diferentes! Ou seja, no final, o público votava através de postais, onde dizia qual a música e os intérpretes tinha preferido. A música vencedora foi "Portugal no Coração", e os intérpretes "Os Amigos".
Os Amigos
De entre Os Amigos, dois nomes que marcam a história do Festival RTP da Canção: Paulo de Carvalho e Fernando Tordo. Ao todo, contando com a participação deste ano, Paulo de Carvalho e Fernando Tordo participaram, cada um, 6 vezes no Festival RTP da Canção. Mas quem se estreou neste ano a apresentar o evento foi a dupla "Sr. Contente e Sr. Feliz", ou melhor dizendo, Herman José e Nicolau Breyner.
1978: 15º Festival RTP da Canção
O ano dos Gemini, que carimbam o passaporte para a Eurovisão com a música "Dai li dai li du".
1978, 18 Fevereiro, Teatro Villaret
"Dai li dai li du" - Escrito pode parecer estranho, mas no ano de 1978 a melodia cativou os presentes e arrecadou mesmo a vitória, com 46 pontos, dando aos Gemini a possibilidade de viajar até à Eurovisão, onde se viriam a classificar em 17º, com 5 pontos.
1979: 16º Festival RTP da Canção
Manuela Bravo canta "Sobe sobe, balão sobe", e tem na Eurovisão uma das melhores participações portuguesas. É a última vez que se vêem as canções a preto e branco...
1979, 24 Fevereiro, Cinema Monumental
Um bom ano para a participação portuguesa na Eurovisão. Manuela Bravo encantou o público português com "Sobe, sobe, balão sobe", obtendo então no Monumental 149 pontos. Na Europa o 9º lugar reflectiu os 64 pontos obtidos, numa das melhores participações portuguesas, com uma música cujo refrão ainda hoje está nos ouvidos de muitos portugueses.
O último... a preto e branco
Manuela Moura Guedes e Fialho Gouveia apresentaram o espectáculo, naquele que seria o último Festival RTP da Canção no reino do preto e branco. Este ano era também a reafirmação do talento de Carlos de Melo Garcia Correia Nóbrega e Sousa, autor de centenas de composições, sobretudo na área da música ligeira, com duas delas vencedoras do Festival da Canção: primeiro em 65 com "Sol de Inverno" (1965), com Simone de Oliveira, e depois neste ano com a música "Sobe, Sobe Balão Sobe", cantada por Manuela Bravo.
1980: 17º Festival RTP da Canção
O ano que marca o arranque das emissões regulares a cores. É também o ano de José Cid, que no Teatro São Luiz arrebata os votos do júri e vence o Festival.
1980, 7 Março, Teatro São Luiz
O início oficial para as emissões regulares da televisão a cores. Eládio Clímaco e Ana Zanatti apresentaram a gala, que viria a coroar José Cid como o melhor intérprete e compositor, vencendo então a sua canção "Um grande, grande amor".
O reino da cor
As luzes brilhavam mais, as roupas eram "diferentes", tudo parecia mais cheio e faustoso, novo e fascinante. Com a cor, a televisão adquiria uma nova dimensão e o fascínio que tinha ficado adormecido depois de se ter estreado em 1957 como novidade. Agora estávamos a par da Europa, e o Festival da Eurovisão desse ano foi visto com todas as cores com que muitos dos seus países já antes o viam. Um bom ano também para a participação portuguesa, que obteve o 7º lugar.
1981: 18º Festival RTP da Canção
Carlos Paião canta "Playback", ao vivo e em directo, com uma energia e melodia que cativam os júris. Na Eurovisão os resultados não são tão bons...
1981, 7 Março, Teatro Maria Matos
Desta vez, a companhia de Eládio Clímaco foi Rita Ribeiro, num espectáculo que veio a premiar a canção de Carlos Paião: "Playback". O refrão, esse, ainda hoje todos os que o ouviram sabem de cor.
Carlos Paião
Na Eurovisão conseguiu um modesto 18º lugar, mas em Portugal conseguiu bem mais do que isso, um lugar bem no coração dos portugueses. Músicas como "Cinderela" ou "Pó-de-Arroz" ainda hoje são cantadas. Quanto às letras que Paião escrevia, são lidas e imitadas pelo ritmo solto e alegre, e ninguém esquece aquele homem baixinho e de barba, cujo final de vida foi trágico e repentino. Definitivamente, um marco na vida e cena musical portuguesa, e uma referência da década de 80.
1982: 19º Festival RTP da Canção
Talvez a primeira verdadeira "girlsband" portuguesa. É o ano das Doce e de "Bem Bom" representar Portugal na Eurovisão.
1982, 6 Março, Teatro Maria Matos
Alice Cruz e Fialho Gouveia foram os apresentadores de uma gala que, após 3 tentativas, mostrava ao país a vitória da verdadeira e primeira "girlsband" portuguesa. As Doce cantaram e encantaram, e só mesmo Cândida Branca Flor se aproximou do primeiro lugar, mas ainda assim a 6 pontos. A música que "adoçou" o júri: "Bem Bom".
Uma participação DOCE
As Doce não eram estreantes no Festival RTP da Canção. Aliás, era já a 3ª vez que participavam, e sempre com óptimas classificações. Em 1980 tinham obtido o 2º lugar e em 1981 o 4º. Mas em 1982 veio finalmente a vitória. Já no Concurso Eurovisão da Canção a prestação foi menos boa, mas ainda assim obtiveram o 13º lugar. Da banda, Fátima Padinha e Teresa Miguel já tinham participado antes no Festival, no grupo Gemini. Já na década de 90 seria outro membro do grupo a dar que falar, Ágata, coroada rainha da música Pimba e top de vendas nas tabelas de discos em Portugal.
1983: 20º Festival RTP da Canção
Armando Gama cantou uma balada que viria para ficar, numa noite que assinalou a realização do Festival RTP da Canção no Coliseu do Porto.
1983, 5 Março, Coliseu do Porto
Preocupada em fazer do Festival um acontecimento anual marcante, a RTP neste ano decidiu apostar ainda mais noutro factor, a descentralização. Para isso, fez deslocar meios técnicos e humanos para o Porto, juntando-se à equipa que já todos os dias fazia dos estúdios do Monte da Virgem um importante centro de produção de muitos programas.
Armando Gama & Herman José
"Esta balada que te dou" foi a música vencedora, com 232 pontos que deram a alegria da noite a Armando Gama. Valentina Torres e Eládio Clímaco foram os apresentadores que abrilhantaram a noite no coliseu do Porto. Já na Eurovisão, Gama não conseguiria ir além do 13º lugar. Mas um facto curioso que marcou o Festival deste ano, e que nos dias de hoje espantará certamente alguns dos seus admiradores, foi o intérprete que alcançou o 2º lugar no Festival RTP da Canção, nada mais nada menos que Herman José, com "A cor do teu bâton".
1984: 21º Festival RTP da Canção
Uma final feita com uma votação em duas fases, acabando a vitória por sorrir a Maria Guinot, com "Silêncio e tanta gente".
1984, 7 Março, Auditório Europa
A história do Festival deste ano conta-se brevemente. Fialho Gouveia teve a companhia de Manuela Moura Guedes na apresentação do espectáculo. Entre 16 concorrentes, Maria Guinot foi mesmo quem obteve a grande vitória, ao carimbar o passaporte para a Europa com a canção "Silêncio e tanta gente".
Eliminatória diferente
À semelhança do que já havia acontecido em anos anteriores, também neste ano de 1984 a organização utilizou um esquema diferente para seleccionar a canção que seria levada à Eurovisão. Primeiro ouviram-se as 16 canções, e seguiu-se então uma primeira votação, que escolheu as 6 melhores. Mas foi só depois que o júri se debruçou sobre estas 6 canções e se alcançou a votação finalíssima, trazendo Maria Guinot de volta ao palco para cantar "Silêncio e tanta gente".
1985: 22º Festival RTP da Canção
Adelaide Ferreira e "Penso em ti (eu sei)" obtêm uma vitória expressiva no Coliseu dos Recreios. Era a época do rock português.
1985, 7 Março, Coliseu dos Recreios
O ano de Adelaide Ferreira. A RTP guardava de novo para o dia do seu aniversário a edição do Festival. Desta vez, a condução do espectáculo esteve a cargo do regular Eládio Clímaco e de Margarida Andrade. A votação, essa, foi expressiva, com a música de Adelaide Ferreira, "Penso em ti (eu sei)", a obter uns expressivos 219 pontos, mais 37 que o segundo lugar.
Adelaide Ferreira
A participação de Adelaide Ferreira no Eurofestival já não viria a ser tão boa como em Portugal, alcançando apenas o 18º lugar. Quanto à sua carreira, essa tem vindo a alcançar alguns sucessos. Adelaide começou no teatro aos 17 anos, mas foi o rock que marcou a sua imagem, sendo uma das mais fortes vozes e impulsionadoras desse género em Portugal. Os temas "Papel Principal" e "Dava Tudo" são um marco na sua carreira musical, que a cantora refere ter no álbum "Só Baladas" o seu expoente máximo. Na televisão também obteve boas interpretações.
1986: 23º Festival RTP da Canção
Uma final diferente, passando por Funchal, Lisboa, Ponta Delgada e Porto. No fim, a vitória foi para Dora, que arrebatou as flores e as palmas da noite.
1986, 22 Março, Funchal, Lisboa, Ponta Delgada e Porto
Mais uma vez, um Festival diferente no método de apresentação das canções. Apostando, tal como havia feito em 83, na descentralização, a RTP faz apresentar 3 canções por cada um dos distritos já referidos. Cada distrito emitiu as suas 3 canções em formato videoclip, e no final o fez a sua votação. Contudo, os resultados anunciados foram apenas para as 3 canções mais classificadas.
Dora e Henrique Mendes
Estes são os nomes a decorar da gala de 1986. Henrique Mendes porque foi o regresso após vários anos, tendo sido o primeiro apresentador do Festival, ainda no reino do preto e branco. E quanto a Dora, porque foi a grande intérprete vencedora, com a canção que se tornou expressão popular "Não sejas mau p'ra mim". No Eurofestival, Dora obteve o 14º lugar.
1987: 24º Festival RTP da Canção
Os 30 anos da RTP foram palco para um Festival algo polémico, que viria a coroar os Nevada numa final das mais renhidas da história do Festival.
1987, 7 Março, Sala de Congressos do Hotel Casino Parque, Funchal
Ana Zanatti apresentou o Festival RTP da Canção deste ano, que não se livrou de uma ponta de polémica. Inicialmente estando previstas 12 canções nesta final, acabaram por apenas serem apresentadas 6. Tudo porque a organização considerou a qualidade das músicas desse ano um pouco abaixo do habitual.
Nevada
Entre os 6 concorrentes, foram mesmo os Nevada que se coroaram como estrelas da noite, com a canção "Neste barco à vela". Mas não se pode dizer que a votação tenha sido fácil. É que com apenas 6 canções a lutar pela mesma vitória, os votos do júri condensaram-se, e por isso foi só mesmo no fim que se soube o vencedor. É que os 116 pontos obtidos pelos Nevada foram bons, mas óptimo mesmo foi o ponto de diferença que separou dos 115 que Glória obteve com a sua canção "Hora a hora, dia a dia". A frustrar a preocupação tão grande em volta da qualidade das canções desse ano por parte da organização foi que, no Eurofestival, a canção portuguesa não foi além do 18º lugar.
1988: 25º Festival RTP da Canção
Uma final controversa e polémica. A vitória, apesar de tudo, ficaria mesmo para Dora, com "Voltarei".
1988, Março, estúdios RTP
Definitivamente, este foi um ano dos mais controversos para a história do Festival RTP da Canção. Ainda hoje muito se especula do que realmente se terá passado antes, durante e depois do Festival de 88.
O que se passou
Inicialmente, a RTP pretendia ter uma final apenas com músicas de compositores convidados. Claro que esta posição não podia deixar de ser contestada, e veementemente. Reclamava-se uma competição livre, aberta a todos. Assim sendo, e ainda que relutantemente, a organização acabou por decidir ter uma semi-final livre, em que apenas a canção vencedora teria acesso à finalíssima.
Polémico...
A 7 de Março, no Casino da Figueira da Foz, Ana do Carmo apresentou a semi-final onde foram apresentadas as 6 canções que tinham sido escolhidas pelo concurso livre. Daí, a canção "Déja Vu", interpretada por Dora, foi a vencedora, que então se juntou às restantes 5 da grande finalíssima. Aí, além de "Déja Vu", Dora interpretou também "Voltarei", e seria mesmo com essa música que acabaria por vencer o Festival e ir à Eurovisão, mas a polémica não se ficou por aí. É que o júri, quando anunciou os resultados, apenas se referiu à canção que tinha vencido, e nada mais em relação às outras...
Afinal...
Claro que muitos participantes e espectadores nunca esperaram que a única canção trazida da semi-final ganhasse, mas quando Dora trouxe o 18º lugar para Portugal do Concurso da Eurovisão, muitos narizes torcidos pareceram querer dizer: "Afinal... tanta coisa, tanta coisa..."
Ontem os de hoje
Em Dublin, na Irlanda, era também o ano em que duas cantoras hoje famosíssimas cantavam nos palcos da Eurovisão. Céline Dion interpretava "Ne partez pas sans moi", pela Suiça, e Lara Fabian "Croire", pelo Luxemburgo.
1989: 26º Festival RTP da Canção
O Festival RTP da Canção desloca-se a Évora para carimbar o passaporte dos Da Vinci para a Europa, numa das músicas do Festival que mais se recorda.
1989, 7 Março, Teatro Garcia de Resende, Évora
Bem mais calma que a edição do ano anterior, Manuela Carlos e Vitorino d'Almeida foram os apresentadores do Festival que, mais uma vez, saía de Lisboa e visitava outras paragens.
Vitória Conquistadora
Com uma diferença de 34 pontos do 2º classificado, a canção "Conquistador", dos Da Vinci, alcançou uma vitória folgada. E não era para menos. A letra falava dos feitos gloriosos portugueses, dos locais longínquos e exóticos visitados pelos marinheiros, e tudo numa rima fácil, bem musicada e que entrava bem no ouvido. É claro que na Eurovisão metade destes atributos passaram um pouco ao lado, e Portugal apenas recolheu um modesto 16º lugar. Mas pelo menos em Portugal os Da Vinci gozaram de uma enorme projecção e sucesso.
1990: 27º Festival RTP da Canção
O ano de Nucha e de "Sempre há sempre alguém", mas na Europa os resultados médios mantinham-se...
1990, 10 Março, Casino do Estoril
Ana do Carmo e Nicolau Breyner foram os anfitriões do espectáculo. Em concurso, 10 canções, para serem votadas por 22 júris regionais.
Nucha
Nucha foi a grande vencedora desse ano, dando voz à letra escrita em parceria pelos irmãos Francisco Teotónio Pereira e Frederico Teotónio Pereira, cujo refrão ficou na memória: "Sempre Há Sempre Alguém". Mas os 242 pontos que obteve em Portugal e a boa prestação não encontraram igual rumo no concurso Eurovisão da Canção. Desta vez foi um modesto 20º lugar... Longe iam já os tempos em que se conseguiam lugares a meio da tabela ou bem próximos dos vencedores da Eurovisão, mas no ano seguinte tudo seria diferente...
1991: 28º Festival RTP da Canção
Dulce Pontes canta "Lusitana Paixão", uma das músicas portuguesas mais fortes que foram à Eurovisão, e recupera o prestígio adormecido, obtendo uma óptima classificação.
1991, 7 Março, Auditório da F.I.L.
Um ano especial na história do Festival RTP da Canção. Júlio Isidro e Ana Paula Reis apresentaram uma gala que marcaria, definitivamente, o cimentar de uma grande revelação da música portuguesa: Dulce Pontes.
FINALMENTE!
Após um breve silêncio, os primeiros acordes. Com letra de José da Ponte e Fred Micaelo e música de José da Ponte e Jorge Quintela, "Lusitana Paixão" encontrou na voz de Dulce Pontes a intérprete ideal. Os telespectadores estavam rendidos, e Dulce Pontes foi mesmo coroada vencedora da noite. No Eurofestival, a boa prestação verificada em Portugal manteve-se, e Dulce Pontes trouxe um excelente 8º lugar. O orgulho dos portugueses tinha sido recuperado.
Dulce Pontes
Aos 14 anos a escola de dança e uma carreira nessa área tiveram de ser abandonadas. Mas o percurso artístico não iria desaparecer. A música aparecia logo a seguir, mas na área da publicidade. Júlio Isidro foi como um pai para a descoberta da menina do Montijo, e que logo foi maravilhando o país com a sua voz de presença forte, magnética e mágica. Richard Gere e Edward Norton Jr. tiveram-na a cantar no filme que foi aos Oscars - Raiz do Medo. A par, e até 2001, seguiram-se a gravação de 5 álbuns, de onde "O Primeiro Canto" é um marco importante para a cantora que assume a disciplina como um lema. Para alguns a nova Amália, a verdade inegável é que Dulce Pontes é uma das mais belas vozes portuguesas femininas.
1992: 29º Festival RTP da Canção
"Amor de água fresca" tem na voz de Dina uma interpretação alegre e animada, que cativou então os júris e arrebatou o maior número de pontos dessa noite.
1992, 7 Março, Teatro São Luiz
Ana Zanatti e Eládio Clímaco voltaram a estar juntos na apresentação de uma gala que todos os anos é alvo de atenções dos espectadores e músicos portugueses.
À terceira foi de vez
Numa noite que reuniu 5 canções escolhidas numa semi-final e outras 5 especialmente levadas ao Festival, a vencedora acabou por ser "Amor de água fresca", com a voz e a presença alegres de Dina. Era caso para dizer "à terceira é de vez". É que Dina já havia participado no Festival RTP da Canção, obtendo então o 8º lugar em 1980 e o 6º e 8º lugar em 1982, ano de dupla tentativa mas que nem por isso resultou melhor. As Doce foram então as grandes vencedoras.
De volta...
Apesar da boa prestação no ano anterior, pela voz de Dulce Pontes, neste ano de 1992 Portugal voltou a ficar abaixo dos 10 primeiros na Eurovisão. Dina obteve o 17º lugar.
1993: 30º Festival RTP da Canção
"A cidade (até ser dia)" revela Anabela ao país e, depois, à Europa, onde obteve um bom 10º lugar.
1993, 11 Março, Teatro São Luiz
António Sala e Margarida Mercês de Mello fizeram as honras de apresentar o espectáculo que viria a mostrar ao país e à Europa uma "menina" de voz tão meiga como forte.
A cidade aos pés de Anabela
"A cidade (até ser dia)", uma música igualmente alegre e nostálgica, deu a Anabela o bilhete para a fama e para a Eurovisão, onde trouxe para Portugal um óptimo 10º lugar.
Anabela
Apesar de ter nascido em 1976 e aparentar um ar de "menina", Anabela é já muito madura na sua carreira. Desde a participação na Eurovisão, Anabela gravou, até ao ano de 2001, os álbuns "Primeiras Origens", "Origens", deu alma a várias personagens no teatro de revista, trabalhando inclusive com Lá Féria, e é uma presença habitual dos ecrãs da televisão.
1994: 31º Festival RTP da Canção
A participação portuguesa na Eurovisão obtém cada vez mais pontos, e pela voz de Sara Tavares, com "Chamar a música", Portugal obtém o 8º lugar.
1994, 10 Março, Teatro São Luiz
Ana Paula Reis e Nicolau Breyner apresentaram o espectáculo. Perante o público do São Luiz e frente aos televisores com a RTP1 sintonizada, todos puderam então presenciar uma voz feminina que, se até aí era apenas "revelação" e "descoberta", agora mostrava-se como uma certeza de talento.
Óptima participação
O Festival RTP da Canção desse ano tinha a concurso 8 músicas, mas dos 22 júris nacionais que votaram não houve um que não atribuísse a pontuação máxima -10 pontos- a "Chamar a música". Sara Tavares não podia estar mais radiante. E meses depois, na Eurovisão, a participação portuguesa obtinha um óptimo 8º lugar.
Sara Tavares
Depois de enviar uma cassete gravada em casa para o concurso "Chuva de Estrelas", da SIC, e de se sagrar a grande vencedora dessa primeira edição, Sara Tavares nunca mais parou. Em 96 grava o seu primeiro álbum, "Sara Tavares & Shout"; ainda esse ano e seguintes grava vários temas da Walt Disney, para as versões portuguesas, e participa em vários espectáculos de artistas tão influentes como B.B.King ou Rui Veloso. O gospel assume-se como uma vertente essencial e em 1999 lança o seu segundo álbum, "Mi ma Bô".
1995: 32º Festival RTP da Canção
Desta vez Herman José está no Festival não para concorrer, mas para apresentar a gala, junto com Ana Morais e Carlos Mendes. Somados os televotos do público, Tó Cruz obtém a vitória, mas "Baunilha e chocolate" não traz uma boa posição para Portugal na Eurovisão...
1995, 7 Março, Teatro Tivoli
Desta vez a apresentação do espectáculo esteve a cargo de 3 personalidades: Sofia Morais, Carlos Mendes e Herman José. A votação, para além dos votos dos 22 júris nacionais, teve também uma percentagem relativa aos televotos dos telespectadores. No final, Tó Cruz e "Baunilha e Chocolate" foram os vencedores da noite.
Perigo!
O Festival Eurovisão da Canção, cada vez mais, via-se a braços com o problema de haver cada vez mais países a querer participar. E as medidas começavam-se a ouvir. No futuro, os países com piores resultados davam a vez no ano seguinte a outros países. E num ano em que Portugal ficou em 21ª posição, as notícias não podia ser mais alarmantes... Alguma coisa tinha de mudar.
1996: 33º Festival RTP da Canção
Lúcia Moniz canta e encanta em Portugal e na Europa, e obtém para Portugal o 6º lugar na Eurovisão, a melhor posição de sempre.
1996, 7 Março, Teatro Politeama
Apresentaram a gala Isabel Angelino e Carlos Cruz, num ano em que o nível geral das canções foi melhor que o habitual, o que tornou as votações mais difíceis. Mas um nome haveria de sobressair: Lúcia Moniz.
A melhor prestação portuguesa de sempre!
Na noite lisboeta apenas 4 pontos separaram Patrícia Antunes de Lúcia Moniz, mas foi mesmo esta última, com a canção "O meu coração não tem cor", que haveria de recolher o ramo de flores e o troféu mais alto da noite: o reconhecimento e as palmas do público. O pai de Lúcia, o conhecido cantor e compositor Carlos Alberto Moniz, não podia estar mais contente, mas haveria de estar... É que poucas semanas depois Lúcia obtinha, na Eurovisão, a melhor prestação portuguesa de sempre, trazendo para Portugal um óptimo 6º lugar.
"Todos os artistas são loucos, senão não seriam artistas"
Lúcia Moniz frequentou, entre 1981 e 1990, várias escolas e cursos de música e representação. Depois de vencer o Festival RTP da Canção e da boa prestação na Eurovisão, o público, como a crítica, recebem-na com várias promessas, e a sua carreira dispara. Em 1999 lança o seu primeiro álbum, "Magnolia", já depois de ter feito parte do elenco das telenovelas "A Grande Aposta" e "Terra Mãe". O teatro também a teve nos seus palcos e hoje é uma das jovens promessas portuguesas na área do espectáculo. Uma presença sempre fresca e que faz parte da nova geração de artistas portugueses.
1997: 34º Festival RTP da Canção
A RTP sopra as 40 velas. É um óptimo ano para Célia Lawson, em Portugal, mas não na Eurovisão, onde Portugal não conseguiu qualquer ponto.
1997, 7 Março, Coliseu dos Recreios
António Sala e Cristina Caras-Lindas apresentaram o espectáculo. A canção vencedora foi descoberta através dos votos dos 20 jurados nacionais e dos televotos do público. "Antes do Adeus" deu a Célia Lawson a maior alegria da noite, mas não para sempre...
Lágrimas
A par com a Noruega, Portugal obteve 0 pontos dos júris europeus. Uma prestação que deixa sempre alguma frustração e tristeza, mas que é preciso ultrapassar com dignidade e profissionalismo. Num ano em que a RTP soprava 40 velas, uma situação que era preciso inverter em futuras participações na Eurovisão.
1998: 35º Festival RTP da Canção
Sem os já habituais televotos, os Alma Lusa vão à Europa cantar "Se eu te pudesse abraçar", obtendo um bom 12º lugar.
1998, 7 Março, Teatro São Luiz
A vencedora da final portuguesa de 96, Lúcia Moniz, e Carlos Ribeiro, foram os apresentadores do Festival RTP da Canção deste ano de 1998, que veio a dar a vitória a uma vencedora do mesmo concurso que tinha dado a conhecer ao país a voz de Sara Tavares.
Alma Lusa
A votação deste ao não teve os já habituais televotos, nem a votação dos júris nacionais. Foi, sim, um conjunto de 5 profissionais da área musical que deram as votações. Dois deles, Paulo de Carvalho e Sara Tavares, já tinham representado Portugal na Eurovisão. Mas este foi mesmo o ano de "Se eu te pudesse abraçar" e da voz de Inês Santos, vocalista dos Alma Lusa. Na Europa a canção portuguesa obteve o 12º lugar.
1999: 36º Festival RTP da Canção
Rui Bandeira canta "Como tudo começou" e vence em Portugal, mas o modesto 21ºlugar que traz da Europa agravam a média de pontos portuguesa. No ano seguinte não há Eurovisão para Portugal.
1999, 8 Março, Sala Tejo - Pavilhão Atlântico
Manuel Luís Goucha deixou por alguns dias a sua "Praça da Alegria", no Porto, e veio fazer companhia a Alexandra Lencastre em Lisboa, para a apresentação de uma gala que se estreou fora das salas clássicas, realizando-se nos novos cenários construídos graças à Expo98.
Adeus...
Um júri composto por 11 elementos regionais deu a vitória a Rui Bandeira, com 90 pontos, mais 18 que o 2º classificado. A canção que representou Portugal na Eurovisão: "Como tudo começou". Os pontos obtidos lá fora: 12, pela França, que ainda assim não nos afastou de um muito modesto 21º lugar na edição desse ano. Assim, no ano seguinte, Portugal tinha Festival RTP da Canção, mas a participação na Europa estava anulada.
2000: 37º Festival RTP da Canção
Liana vence esta edição do Festival com "Sonhos Mágicos", mas está impedida de ir cantar à Europa.
2000, 27 Março, Sala Tejo - Pavilhão Atlântico
A canção “Sonhos Mágicos”, interpretada por Liana, venceu a edição do Festival RTP da Canção deste ano, e Liana pode assim levar para casa o prémio de 1.500 contos que, pelo menos, serviu para compensar a não ida à Eurovisão neste ano.
De fora
Devido à fraca média de pontos obtidos por Portugal nas últimas 5 edições do Eurofestival, Portugal ficou excluído de participar no espectáculo desse ano. Apesar de já em 1970 Portugal não ter participado na Eurovisão, pelo menos nesse ano havia sido uma acção conjunta entre vários países, como atitude discordante e acusatória face ao escândalo da votação final do ano anterior.
Amália
Na edição do Festival RTP da Canção deste ano houve espaço para uma homenagem a Amália Rodrigues, falecida a 6 de Outubro de 1999. Essa parte do espectáculo esteve a cargo de Filipe La Féria, que fez desfilar pelo palco da Sala Tejo do Pavilhão Atlântico figuras da área musical e teatral portuguesas. Helena Vieira, Marco Paulo, Tonicha, Anabela, Mafalda Arnaut, Alexandra e Jorge Fernando deram voz aos fados que imortalizaram Amália Rodrigues, numa noite que também reservou espaço à poesia de José Carlos Ary dos Santos e de Natália Correia e às interpretações de Rita Ribeiro e Ruy de Carvalho.
2001: 38º Festival RTP da Canção
O duo MTM vence no Europarque com a canção "Só sei ser feliz assim". Na Europa a Estónia vence, numa final com a Suécia muito renhida. Portugal obtém o 17º lugar, insuficiente para manter a participação para o ano seguinte.
2001, 7 Março, Europarque
Mais de 600 canções foram enviadas para a RTP, na edição deste ano. Sónia Araújo & Cristina Möhler apresentaram então, a 7 de Março, a final que daria a vitória aos MTM, com a canção "Só sei ser feliz assim". Contudo, a transmissão do espectáculo ficaria adiada para dia 11 desse mês, pois o terrível e trágico desastre na ponte de Entre-os-Rios, sobre o rio Douro, assim obrigava.
Os resultados
Em Portugal, 20 júris regionais deram a vitória ao duo MTM, com 280 pontos, mais 5 que a segunda canção melhor classificada. Na Eurovisão, Portugal obteve o 17º lugar, mas apesar de tudo os pontos obtidos não seriam suficientes para inscrever o nome de Portugal na edição de 2002, a realizar na Estónia, que venceu renhidamente a edição do Eurofestival deste ano, em Copenhaga.
2002: Em 2002 a RTP recusou o convite da UER e não fez festival.
2003: 39º Festival RTP da Canção
"Deixa-me sonhar (Só mais uma vez)", Rita Guerra
Em 2003 a RTP indigitou Rita Guerra, como a representante portuguesa no Eurofestival. Foram seleccionados 3 temas, apresentados numa das galas da Operação Triunfo. Após esta primeira audição dos 3 originais as linhas telefónicas ficaram abertas, durante uma semana. As modalidades de recolha de votos foram exclusivamente chamada telefónica e SMS. Durante uma semana os portugueses em todo o mundo puderam votar na sua música favorita.
Catarina Furtado e Rita Guerra revelaram a decisão dos portugueses.
Rita Guerra repetiu a canção "Deixa-me sonhar (Só mais uma vez)" que recolheu cerca de 75% dos votos.
Rita Guerra defende a nossa canção em Riga.
Ficou injustamente classificada no 22º lugar (entre 26 países) com 13 votos.
2004: 40º Festival RTP da Canção
"Foi magia", Sofia Vitória
Sofia Vitória na semi-final do ESC obteve 38 votos e o 15ºlugar, não passando à final.
2005: 41º Festival RTP da Canção
"Amar", 2B (Rui Drumond e Luciana Abreu)
Em 2005 a R.T.P. optou por endereçar um convite a Alexandre Honrado, Ernesto Leite e José da Ponte com a finalidade de fazerem uma só canção para o EuroFestival. Os intérpretes escolhidos foram Rui Drumond e Luciana Abreu. O nome desde duo é 2B. Pela primeira vez na história da selecção de uma canção para a Eurovisão, a R.T.P. encomenda apenas um tema!!
2006: 42º Festival RTP da Canção
"Coisas de Nada", NonStop
As NONSTOP Chegaram à semifinal em Atenas. Portugal não passou á final, obteve 26 pontos situando-se na 19ª posição, entre 23 países.
2007: 43º Festival RTP da Canção
"Dança Comigo (Vem ser feliz)", Sabrina
Aos 24 anos, Teresa Villa-Lobos, de nome artístico Sabrina venceu, a 43.ª edição do conhecido concurso televisivo, que decorreu no dia 10 de Março de 2007 na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, Portugal. O tema Dança comigo (vem ser feliz), com letra de Emanuel e Tó Maria Vinhas, música de Emanuel e arranjos de Daniel Duarte, representou Portugal na semi-final do Festival Eurovisão da Canção 2007, que se realizou na Finlândia a 10 de Maio.
Portugal não conseguiu obter os votos suficientes para passar à final, ficando em 11.º lugar de entre 28 disponíveis na semi-final com 88 pontos (perdeu a qualificação apenas por 3 pontos)!!
2008: 44º Festival RTP da Canção
"Senhora do Mar", Vânia Fernandes
Em 2008, Vânia Fernandes venceu o Festival RTP da Canção com "Senhora do Mar", com a qual representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção.
Participou na segunda semi-final, tendo conseguido um 2ºlugar, apurando-se para a final realizada em Belgrado a 24 de Maio de 2008, facto que Portugal não tinha conseguido desde 2003.
Na mesma final a cantora conseguiu uma posição razoável (boa, tendo em conta que desde 2003 Portugal não lograra apurar-se para a final), sendo 13ª classificada em 25 países concorrentes presentes na Final do Festival Eurovisão da Canção 2008.
2009: 45º Festival RTP da Canção
"Todas As Ruas Do Amor", Flor de Lis
Estiveram a concurso no Festival da Canção 2009, 12 canções para eleição daquela, que representaria a RTP no Festival da Eurovisão em Maio de 2009, na cidade de Moscovo na Rússia. A RTP recebeu até 12 de Janeiro 393 maquetas de canções concorrentes, fechando assim a primeira fase do Festival da Canção 2009. De todas as propostas enviadas, foram apuradas 24 para serem submetidas a votação online, no site oficial da RTP em www.rtp.pt. Destas 24, as 12 canções mais votadas pelo público foram as finalistas e constituiram o Festival da Canção 2009!! Em 1º Lugar, ficou a canção n.º 11, "Todas as Ruas do Amor", interpretado pelo agrupamento Flor-de-Lis.
Portugal consegue PELA SEGUNDA VEZ o tão esperado feito, desde a implementação das semi-finais nos regulamentos do ESC, ficar apurado para a Final do Eurovision Song Contest 2009, após a actuação dos nossos representantes na 1ª Semi-Final do ESC 2009, FLOR-DE-LIS com o tema, "Todas As Ruas Do Amor"!! Numa forma diferente de apresentação dos eleitos, ao 4º envelope, lá se ouviu o nome PORTUGAL, fazendo sonhar e mais uma vez, os milhares de portugueses... no ESC LISBON!!! PORTUGAL na voz dos nossos representantes, Flor-de-Lis, com o tema "Todas As Ruas Do Amor", obteve na grande Final do ESC 2009 o honroso 15º Lugar com 57 Pontos, (dado o elevado nível de qualidade da maioria das canções a concurso...) entre 42 países participantes e 25 candidatos na Final, tendo sida considerada pela imprensa da cidade anfitriã, como uma das melhores canções a concurso ao ESC 2009!!
Porém, ainda não foi desta que Portugal organizará o ESC em Lisboa!!
Mais uma vez, faltou pouco... mesmo muito pouco...
2010: 46º Festival RTP da Canção
"Há Dias Assim", Filipa Azevedo
A RTP recebeu mais de 420 originais, o júri de selecção composto por Fernando Martins, Ramón Galarza, Tózé Brito e José Poiares escolheram 30 canções para a semifinal online. Nesta primeira fase as 30 canções estiveram parcialmente disponíveis online, na medida em que a RTP só desvendou 1.30´ de cada uma. Durante 7 dias os cibernautas puderam votar na sua canção preferida, entre os dias 21 e 27 de Janeiro de 2010. A canção "A luta assim não dá" interpretada pelos Homens da Luta foi desclassificada, ao segundo dia de votação, por não cumprir um dos pontos do regulamento. Assim, ficaram em competição 29 composições, para 24 lugares vagos nas meias finais. Os 24 temas mais votados online foram divididos aleatoriamente por duas semifinais, em cada semifinal os 6 mais votados pelo público, através de chamadas telefónicas, transitaram para a grande final.
Na final o tema vencedor foi escolhido pelo público e pelo júri distrital num regime de 50/50.
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